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Este blog foi criado essencialmente criado para contar os episódios desta fase da minha vida. Tenho tantos familiares e amigos a quererem saber como descobri que estava doente e como estou no momento presente, que decidi contar tudo aqui, neste espaço, etapa por etapa, dia a dia.

Dia 16 - 11 de Agosto

Mais um dia, mais uma ida ao hospital. De manhã, dirige-me ao IPO para fazer a Cintigrafia Óssea. Cheguei por volta das 11.15 e praticamente não esperei. Fui logo atendida por uma médica, amorosa, que me perguntou alguns dados da doença. Pedi-lhe para me fornecer o relatório, uma vez que não iria poder fazer os tratamentos de quimioterapia no IPO. Ela atendeu ao meu pedido. De seguida fui entregue à enfermeira, que me administrou o contraste radioactivo. Não senti nada, a sério não custa mesmo nada. Eram 11.25 estava despachada, podia fazer o que quisesse nas próximas duas horas, para além de ter que beber 1,5 l de água. Lá fomos, eu e os meus pais, para uma esplanada com vista para o IPO, li o jornal, fiz um sudoku completo, a radioactividade ainda não interferiu com a minha cabeça e memória. Bebi um chá e uma sopa, uma sobremesa e um café. À hora combinada, 13.25, estava novamente no edificio da Medicina Nuclear. Não voltei a esperar, deitaram-me no aparelho, mandaram-me tirar todas os metais, jóias e relógio e ,em seguida teria que me manter muito quietinha durante todo o exame. Assim o fiz, no fim de alguns minutos começei a ter uma vontade de coçar o nariz, mas tive de me controlar. No fim de 15 minutos ,aproximadamente, o exame estava terminado. Perguntei ao técnico, como estavam os meus ossos. Ele disse-me que, aparentemente tudo estava bem, mas que o relatório iria ser executado pela médica. Fiquei apenas aguardar pelo papel que permitiria levantar o exame, que me entregaram, logo depois. Na sala de espera estava uma mãe, muito nervosa, teria feito uma exame com filha de 4 anos e está à espera do diagnóstico, a enfermeira esteve a conversar com ela e ela dizia que é muito dificil aceitar que a sua filha está doente, eu meti-me na conversa e disse-lhe que também não é fácil nós estarmos doentes, porque quando temos filhos, também só temos uma pensamento: não fazer sofrer os nossos filhos que precisam tanto de nós. É sempre tudo muito dificil. Desejei-lhe que tudo corresse bem e ela também o desejou a mim.
Quando saí do hospital, resolvemos passar no HSM, para ver como está o meu processo. Falei com a administrativa, que me disse, que talvez não fosse possível cumprir o prazo de uma semana para me chamarem, dos 5 médicos existentes, 3 estão de férias. Estranho que com a falta de médicos existente, o mapa de férias seja gerido da mesma forma, como em qualquer outra empresa que não trata de saúde. Este país é muito estranho. De qualquer forma, a funcionária, muito delicada, ficou de falar com o médico e depois entrará em contacto comigo.
Quando cheguei a casa, a enfermeira Rita, tinha-me ligado. Liguei logo, mas ainda não tem qualquer notícia para mim sobre o HSM. Vamos ver se amanhã há mais novidades.

1 comentários:

geometricasnet disse...

A minha amiga Licínia Quitério tem um poema de esperança. http://sitiopoema.blogspot.com/2008/05/sobrevivos.html

Sobrevivos

Não sabemos a dor dos peixes
quando seca o lago em pleno verão.
Premonições tiveram
e amorteceram cintilações nocturnas.
Enfeitaram de escamas o relevo dos fundos
a assegurar refúgio às últimas frescuras.
Por entre o lodo chegaram
outras guelras, outras mãos
e o novo tempo lhes chamou anfíbios.
Têm o ar robusto dos sobrevivos.
Desconfiam da firmeza da terra.
Vão pedindo à chuva notícias do lago.
Só ela sabe quanta devastação.

Licínia Quitério

geometricasnet disse...

A minha amiga Licínia Quitério tem um poema de esperança. http://sitiopoema.blogspot.com/2008/05/sobrevivos.html

Sobrevivos

Não sabemos a dor dos peixes
quando seca o lago em pleno verão.
Premonições tiveram
e amorteceram cintilações nocturnas.
Enfeitaram de escamas o relevo dos fundos
a assegurar refúgio às últimas frescuras.
Por entre o lodo chegaram
outras guelras, outras mãos
e o novo tempo lhes chamou anfíbios.
Têm o ar robusto dos sobrevivos.
Desconfiam da firmeza da terra.
Vão pedindo à chuva notícias do lago.
Só ela sabe quanta devastação.

Licínia Quitério